A organização das áreas urbanas

A organização das áreas urbanas

A distribuição das várias atividades observáveis no espaço urbano assim como a residência da população não se processam ao acaso. É possível identificar regularidades espaciais nessa distribuição podendo assim individualizar-se áreas funcionais, quer dizer, áreas que apresentam uma certa homogeneidade da função dominante e que se destacam das restantes por apresentarem características próprias. A individualização destas áreas resulta da variação do preço do solo, o qual, por seu lado, depende da acessibilidade.

O preço do terreno é tanto maior quanto menor for a distância ao centro, uma vez que é aí que se cruzam os eixos de comunicação, constituindo a área de maior acessibilidade no interior do espaço urbano e, por isso, a mais atrativa para muitas atividades do setor terciário, que aí tendem a instalar-se.

Á medida que aumenta a distância ao centro, a acessibilidade diminui, decrescendo também a procura do solo pelas atividades terciárias e consequentemente, o seu preço.

  • As áreas terciárias

CBD (central Business District) – Caracteriza-se por um elevado grau de acessibilidade uma vez que e para aí que todos os transportes convergem. Torna-se muito atrativa para o setor terciário, especialmente terciário superior, cuja rentabilidade depende da existência de uma clientela numerosa.

O CBD é considerado o centro financeiro pois é aqui onde se concentram grandes sedes bancárias, de companhias de seguros, de escritórios das grandes empresas e comércio grossista e retalho, geralmente muito especializado. É também vulgar encontrar aqui restaurantes, hotéis, salas de espetáculos, muitas atividades administrativas e escritórios de profissões liberais.

A procura destas áreas faz com que o solo se revele escasso, dificuldade que é ultrapassada, em parte, pela construção em altura, um dos aspetos mais característicos das áreas mais centras das cidades.

O plano vertical é vulgar observar-se a ocupação do rés do chão pelo comércio, e os últimos pisos, por vezes, destinados à residência e os pisos intermédios a escritórios e armazéns.

O plano horizontal revela áreas de forte especialização no interior do CBD: destacam-se o centro financeiro, a área de comércio a retalho, a área de comércio grossista, a área de hotéis e restauração.

Em muitas cidades assiste-se à descentralização de muitas atividades terciárias do centro para outras áreas da cidade, motivada pela enorme concentração de atividades nessa área, falta de espaço, valores excessivos dos preços dos terrenos, congestionamento do tráfego urbano, dificuldades de deslocação e estacionamento. Esta tendência é reforçada pelo aumento da acessibilidade a outras áreas da cidade, associada à construção de novas vias de comunicação e transportes públicos mais eficazes.

As áreas centrais têm registado um progressivo despovoamento, resultado da perda da função residencial. Os mais jovens atualmente procuram na periferia habitações com mais espaço, mais modernas e inseridas em meios ambientalmente mais agradáveis e a preços mais convidativos.

Esta tendência é reforçada pela evolução das vias de comunicação, modernização e desenvolvimento dos transportes públicos e maior capacidade de aquisição de veículos particulares que, permitem aumentar a distância entre o trabalho e a residência. Assim, os residentes das áreas centrais são idosos e/ou grupos sociais de fracos recursos económicos. As habitações encontram-se em péssimo estado, completamente degradadas e oferecem uma péssima qualidade de vida, sem qualquer tipo de segurança, à população que nelas habita.

A população é bastante flutuante, isto é, durante o dia, há um transito intenso de peões e veículos e, durante a noite, despovoamento. Porém, assiste-se a novos fenómenos a nível da animação cultural e noturna nas grandes cidades, como restaurantes, cafés, bares, lojas, ateliers e galerias de arte, que têm atraído para o centro os jovens, contribuindo para o seu dinamismo e ajudando, em parte, a combater o abandono.

                                 ·            As áreas residenciais

                A distribuição e organização das áreas residenciais, revela fortes contrastes, que evidenciam a classe socioeconómica dos seus residentes. O preço do solo, o desenvolvimento dos transportes públicos, as características ambientais são alguns fatores que contribuem para a individualização de áreas residenciais diferenciadas

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