Evolução da população portuguesa no século XX

Evolução da população portuguesa no século XX

 

No período anterior a 1950 a população portuguesa registou um grande crescimento (elevada taxa de crescimento natural), à exceção do período entre 1911 e 1920 devido à 1ª Guerra Mundial, à gripe pneumónica e a alterações políticas na sequência da implantação da república.

 

Entre 1950 e 1960 a revolução demográfica portuguesa começa a processar-se, ainda que Portugal tenha sido até à década de 60, um dos poucos países da Europa que não sofreu o processo de envelhecimento da população, apresentando uma população jovem.

 

Os fatores que contribuíram para esta situação foram:

-características rurais

-influência da igreja Católica

-baixo número de mulheres a trabalhar fora de casa

-O reduzido uso de métodos contracetivos, bem como, de consultas de planeamento familiar,..

 

Entre 1960 e 1970 começou a registar-se pela primeira vez neste século uma diminuição da população.

 

Para esta muito contribuíram:

-emigração

-guerra colonial

-alterações socioculturais (utilização de meios contracetivos, maior número de mulheres no mercado de trabalho)

 

Entre 1970 e 1981 regista-se um grande crescimento demográfico,

 

Devido a vários aspetos, nomeadamente:

-fim da guerra colonial

-fim do surto migratório

-regresso alguns emigrantes

-regresso da população “retornada” de África

 

 

Entre 1981 e 1991, a população portuguesa passou por uma fase de estagnação, um reflexo da diminuição da natalidade.

 

Entre 1991 e 2001 a população portuguesa aumentou ligeiramente ultrapassando os 10 milhões, as baixas taxas de crescimento natural foram compensadas pelo surto migratório proveniente de África e dos países da Europa de Leste.

 

Atualmente continua…

  • Baixa taxa de mortalidade
  • Baixa taxa de natalidade
  • Aumento da esperança média de vida

 

Natalidade – nº de nascimentos que ocorrem em determinado lugar num determinado período de tempo

 

Taxa de natalidade – número médio de nados-vivos por cada 1000 habitantes

 

=

 

Taxa de fecundidade

 

Índice sintético de fecundidade – nº médio de filhos por cada mulher

 

Índice de renovação de gerações – nº médio de filhos que cada mulher deveria ter para assegurar a substituição de gerações

 

Variação da taxa de natalidade

-Os países de TN mais elevada localizam-se normalmente nos África e no Médio Oriente (países em desenvolvimento)

-Os países com TN mais baixa, localizam-se onde existe um maior desenvolvimento nomeadamente no hemisfério norte, caso da UE e dos EUA. (países desenvolvidos)

 

Natalidade no sei europeu

Portugal regista um valor muito idêntico à média da UE, no entanto existem outros países que embora com valores baixos já melhoraram ligeiramente devido ao incentivo da natalidade.

 

Evolução da taxa de natalidade

A taxa de natalidade tem vindo a diminuir desde 1960, atingindo o seu mínimo, 10.4% em 2004. Num primeiro período, entre 1960 e 1991 o decréscimo foi muito acentuado de 24.2% para 11.8%, posteriormente de 1991 a 2004, a taxa de natalidade continuou a diminuir embora de forma mais gradual de 11.8% para 10.4%

 

Fatores:

  • Emancipação da mulher e a sua entrada para o mundo do trabalho
  • Acesso ao planeamento familiar e a generalização do controlo da natalidade
  • Aumento da idade do casamento
  • Mudança de mentalidades
  • Aumento do nível de instrução e o alargamento do período de escolaridade obrigatório

 

As regiões do litoral, Algarve, Norte, Madeira e Açores são as que têm maior TN atualmente e as do Interior as que têm valores mais baixos.

Mortalidade– nº de óbitos que ocorrem em determinado lugar num determinado período de tempo;

Taxa de mortalidade– A taxa de mortalidade permite-nos conhecer o número médio de óbitos por mil habitantes.

=

Mortalidade infantil – nº de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade.

Taxa de mortalidade infantil- nº de óbitos de crianças com menos de um ano de idade observado num determinado período, referindo ao nº de nados vivos do mesmo período (habitualmente expressa um número de óbitos de crianças com menos de 1 ano por 1000 nados-vivos)

=  00

Variações da mortalidade:

-Taxas mais elevadas ocorrem nos países menos desenvolvidos, nomeadamente nos continentes africano e asiático, onde se registam problemas de alimentação e nos cuidados de saúde;

-Os países desenvolvidos registam valores estáveis, uma vez que o envelhecimento da população e a morte natural da velhice são compensados pela excelência dos cuidados de saúde e dos níveis alimentares. Portugal está inserido neste grupo.

 

Portugal no seio da Europa – TM & TMI

 

                Apesar dos próximos valores europeus, Portugal em 2001 apresentava um valor ligeiramente superior à média da UE, isso deve-se ao maior desenvolvimento dos nossos parceiros, que se traduz numa melhor assistência médica, e no acompanhamento aos idosos.

Na TMI, apesar de Portugal continuar a ser um dos países com maior TMI na UE, Portugal tem registado ao longo dos tempos, um elevado decréscimo da TMI.

 

 

Evolução em Portugal

 

  • Taxa de Mortalidade

Entre 1960 e 2004 não evidencia alterações significativas, diminui de 10,4% para 9.7% tendo atingido um máximo de 10.5 em 1991;

  • Taxa de Mortalidade Infantil

A taxa de mortalidade infantil diminui drasticamente desde 1950 atingindo o seu mínimo 4.1% em 2004. Num período entre 1950 e 1991, o decréscimo foi muito acentuado de 14.9% para 10.9% posteriormente de 1991 a 2004 a TMI continua a diminuir, embora de forma mais gradual passando de 10.4% para 4.1%

 

Fatores para a diminuição da TM:

  • Melhoria dos hábitos alimentares
  • Cuidados de saúde mais eficazes
  • Melhoria das condições e de hábitos de higiene
  • Melhoria das condições de trabalho (segurança no trabalho)

 

Fatores para a diminuição da TMI:

  • Generalização de uma rede de assistência materno-infantil que permitiu melhorar o acompanhamento das grávidas (realização de exames de diagnóstico, análises, ecografias) e dos bebés nos primeiros anos de vida
  • Realização de partos em hospitais
  • Generalização da vacina infantil

 

 

 

 

 

Contrastes regionais:

 

Taxa de mortalidade:

Os valores mais elevados registam-se no centro e no sul do território, atingindo o máximo em Pinhal Interior Sul (16.5%) e os valores mais baixos localizam-se no Norte (sobretudo no Litoral, sendo o mínimo na região Ave)

 

Taxa de mortalidade infantil:

                Os valores mais elevados encontram-se na região Norte (sobretudo interior), no Alentejo na Madeira e nos Açores, atingindo o máximo na Madeira (7%). Os valores mais baixos localizam-se na região centro e região Lisboa, sobretudo no Litoral, sendo a região Pinhal Litoral que apresenta o valor mínimo

 

Crescimento natural = natalidade – mortalidade

Taxa de crescimento natural= taxa de natalidade – taxa de mortalidade

Saldo migratório= imigrantes – emigrantes

Crescimento efetivo= crescimento natural + saldo migratório

 

POSITIVAS NEGATIVAS POSITIVAS NEGATIVAS
·         Entrada de divisas

·         Difusão de novas ideias e costumes

·         Concentração fundiária, porque os agricultores que migram acabam por vender as explorações agrícolas

·         Perda de mão-de-obra com plena capacidade produtiva

·         Desequilíbrio entre os sexos já que  grande parte dos emigrantes é formada por homens

·         Envelhecimento da população e diminuição da taxa de natalidade

·         Aumento da disponibilidade de mão-de-obra

·         Rejuvenescimento da população que se revela numa maior capacidade empreendedora e na dinamização da economia.

·         Aumento das taxas de desemprego

·         Problemas habitacionais que levam à proliferação de bairros de lata e de bairros clandestinos

 

Taxa de crescimento efetivo =

Emigração– saída de pessoas para um país estrangeiro.

Imigração– entrada de população estrangeira num país.

 

Consequências da emigração

 

PARA O PAÍS DE ORIGEM                                              PARA O PAÍS DESTINO

 

 

 

 

 

 

 

Taxa de crescimento natural nos PD e PDE:

Se a população aumenta a nível mundial é graças ao contributo dos PED que apresentam ainda valores elevados de taxa de natalidade, nos PD o crescimento natural já apresenta valores nulos ou negativos.

 

+no contexto europeu:

Os valores da taxa de crescimento natural em Portugal são idênticos à média da UE. Existem países com situações mais graves, ex.: Bulgária e Hungria.

 

 

Evolução da Taxa de crescimento natural em Portugal

Tem acompanhado a descida da TN, pelo que tem diminuído significativamente desde 1960, quando o valor era de 13,37% para em 2001 ser apenas de 0,7%.

Apesar deste decréscimo Portugal continua a apresentar um crescimento natural positivo.

 

Diferenças regionais da taxa de crescimento natural:

Litoral (crescimento positivo ou nulo) e o interior (com todas as regiões a registar um crescimento negativo);

 

Evolução da taxa de crescimento efetivo em Portugal

A T.C.E tem vindo a descer devido à quebra da natalidade relativamente à taxa de crescimento efetivo depois de ter sido francamente negativo nos anos 60 e início dos 70 (o valor mínimo registou-se em 1966, com -0.84%) em resultado da emigração para a Europa. Portugal conheceu uma recuperação no período de 1975 a 1985 com o resultado do regresso das populações das ex-colónias e do fim do surto migratório.

Nos anos 90, Portugal passou de um país de origem de emigrantes para um país de destino migratório.

 

 

Contrastes regionais associados à taxa de crescimento efetivo:

No litoral, a taxa de natalidade é mais elevada, devido à concentração populacional nessas regiões, em contrapartida o interior está a ficar desertificado devido aos fluxos migratórios das populações jovens.

Há mais imigração no litoral porque são regiões mais ricas e há mais oportunidades de emprego.

 

Esperança média de vida- nº médio de anos que uma pessoa à nascença pode esperar viver, mantendo-se as taxas de mortalidade por idades observado num momento

 

Envelhecimento demográfico- aumento da proporção de pessoas idosas no efetivo total das pessoas.

 

Qualidade de vida- noção complexa e subjetiva relacionada com a satisfação das necessidades do domínio económico, social, psicológico e ambiental. Pode ser sinónimo de conforto e de bem-estar.

 

Esperança média de vida a nível mundial:

-Os países desenvolvidos onde a EMV ronda os 77 anos de idade consequência das melhores condições de saúde e apoio à 3ª idade (Japão, EUA, UE)

-Os países menos desenvolvidos onde a EMV ronda menos de 50 anos consequência das carências alimentares, dos cuidados de saúde e de conflitos (África)

 

                +Na europa:

Portugal tem uma esperança média de vida nos 78.17 anos, sendo de 74.84 para os homens, e de 81.3 para as mulheres. Portugal está dentro da esperança média de vida da UE.

 

 

Fatores para o aumento da EMV:

-alimentação mais rica e variada

-cuidados de saúde mais eficazes

-avanços na medicina

-assistência aos idosos

-Melhor qualidade de vida

 

 

Contrastes Regionais

No litoral registam-se os valores mais elevados de EMV, devido ao acesso aos melhores cuidados médicos. No interior registam-se os mais baixos devido a ausência deste fator.

 

Estrutura etária-Distribuição da população por idades e sexos

Grupo etário- grupo de idades: grupo de jovens até aos 14 anos, grupo dos adultos de 15 aos 64, e o grupo de idosos de 65 e mais anos.

Classe etária- grupo de indivíduos que apresentam idades muito próximas

 

 

Na estrutura de uma população há três grandes grupos etários:

-Jovens (0-15 anos)

-Adultos (15-64 anos)

-Idosos (+65anos)

 

Tipos de pirâmides etárias

 

-Pirâmide Jovem ou crescente: Base larga e topo estreito, país pouco desenvolvido com TN elevada e baixa EMV

-Pirâmide Adulta ou Transição: Zona central tão larga quanto a base, país em desenvolvimento com uma ligeira quebra na TN

-Pirâmide Idosa ou Decrescente: Base estreita e Topo largo, país desenvolvido, baixa TN e elevada EMV

-Pirâmide rejuvenescente: Idêntica à Idosa, ligeiro aumento na largura da Base fruto das políticas natalistas

 

Classe Oca: É o nome que se dá a uma classe que é menor do que aquela que representa o escalão etário superior.

Evolução da estrutura etária em Portugal

 

Foi até à década de 60 um dos poucos países a possuir uma população predominantemente jovem.

 

Para este facto contribuíram:

-características rurais

-pouca difusão dos métodos contracetivos

-fraca presença de mulheres no mercado de trabalho

-a elevada natalidade

 

Na década de 60 verificou-se alguma alteração como consequência da guerra colonial e da emigração.

 

Na década de 70 verificou-se mais uma alteração como consequência do:

-êxodo rural

-alargamento da escolaridade obrigatória

-alterações do modo de vida

 

Atualmente a pirâmide de Portugal é idosa tendo como fatores:

-diminuição natalidade

-diminuição mortalidade

-aumento da Esperança Média de Vida

 

Estrutura etária portuguesa pós integração na UE

Acentuou-se o envelhecimento da população, verificando-se um claro estreitamento da base, diminuição de jovens e um alargamento na parte média e superior da pirâmide que corresponde ao aumento do nº de adultos e jovens.

 

Possíveis cenários no futuro da Estrutura etária portuguesa

Dá continuação à evolução iniciada em 1981: tendência para o envelhecimento da população.

 

Estrutura etária portuguesa no contexto europeu

                A nossa estrutura etária está muito parecida com os outros PD, ou seja idosa e decrescente.

 

 

Contrastes regionais na Estrutura etária portuguesa:

Mais idosos: região centro e Alentejo

Mais jovens: Norte e regiões autónomas

 

Êxodo rural: expressão que evoca a partida em massa das populações rurais para as cidades

Relação de masculinidade: nº de homens por cada 100 mulheres

 

População ativa:

Considera-se a população ativa o conjunto de indivíduos com idade mínima de 15 anos que constituem mão-de-obra disponível para a produção de e de serviços que entram no circuito económico. Engloba os empregados e os desempregados.

Geralmente o total de ativos e inativos tem sido semelhante, mas com certa tendência para uma crescente superioridade relativa dos ativos.

 

População ativa
População empregada
População desempregada

 

 

 

 

 

 

Estrutura da População Ativa: Distribuição dos ativos pelos setores de atividade (primário, secundário e terciário)

Setores:

  • Primário (agricultura, pecuária, pesca, silvicultura, exploração mineira)
  • Secundário (construção civil, indústria, fornecimento de água, gás e eletricidade)
  • Terciário (comércio, transportes, telecomunicações, turismo, serviços)
  • Terciário Superior ou Quaternário (tecnologias, profissões liberais e de investigação)

 

Evolução da população por setores:

-diminuição da população a trabalhar no setor primário à medida que o país se vai desenvolvendo (mecanização)

-aumento inicial da atividade secundária e posterior diminuição em função dos avanços tecnológicos

-aumento gradual da atividade terciário à medida que os outros setores se vão modernizando e incorporando mais serviços

 

  • Nos PED o setor predominante é o setor primário, e secundário à medida que se vão industrializando. Nos PD os setores predominantes são: o terciário e o secundário, tal como se verifica em Portugal.

 

Taxa de atividade – Relação entre a população ativa e a população total                                                   = 0

 

Contrastes regionais:

  • Região de Lisboa e Vale do Tejo: Apresenta valores mais próximos dos países desenvolvidos, baixo setor primário, presença importante do secundário e maioritariamente terciário.
  • Regiões Algarve e Madeira: grande presença setor terciário, fruto do turismo
  • Regiões Alentejo e Açores: Predomínio do setor terciário, mas uma presença ainda significativa do setor primário
  • Região Norte: Setor secundário idêntico ao terciário
  • Região Centro: Distribuição mais equilibrada, presenças significativas de todos os setores, com predomínio do terciário

 

Qualificação profissional: conjunto de aptidões, conhecimentos, certificações e experiências adquiridas que permitem exercer uma determinada profissão.

 

Analfabetismo- não saber escrever nem ler.

 

Taxa de analfabetização – Percentagem de pessoas que NÃO são capazes de ler, escrever e compreender um texto simples;

=  X100

 

Alfabetismo – saber ler e escrever

Taxa de alfabetização- Percentagem de pessoas que são capazes de ler, escrever e compreender um texto simples;

=  X100

 

Taxa de escolarização- proporção da população residente que está a frequentar um grau de ensino, relativamente ao total da população residente do grupo etário correspondente às idades normais de frequência desse grau de ensino;

 

=  X100

 

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