A rede urbana

Os critérios de definição de cidade:

Recuando alguns anos, seria fácil distinguir o espaço urbano do espaço rural. Bastava observar os modos de vida da pop e as atividades económicas dominantes para concluir que os contrastes eram abismais.

Hoje em dia, a distinção entre o campo e a cidade nem sempre se revela tarefa fácil, uma vez que a cidade tem crescido desenfreadamente e está a alcançar os limites do campo. Torna-se assim difícil distinguir onde começa um e acaba o outro.

Por estranho que pareça, não há uma definição universal de cidade. Cada pais adopta os seus critérios de definição em função de alguns factores. Os critérios mais usados são:

Critério Demográfico

população absoluta de cada cidade

Densidade populacional

Critério Funcional

O Critério Demográfico

A contagem da pop absoluta é o critério mais adoptado por todos os países, o que não significa que seja o mais correcto.

É normal cada país estabelecer um limiar mínimo de habitantes para considerar a aglomeração de cidade. Os contrastes são enormes, variando de 200 elementos em países com poucos habitantes – como é o caso da Dinamarca – até 40 000 ou mais elementos – como é o exemplo da Coreia do Sul, onde o total de pop absoluta é altíssimo.

É o critério mais simples e cómodo, mas apresenta grandes variações, não sendo possível estabelecer comparações.

A densidade populacional é o critério também usado, visto ser normal na cidade existir um nº de habitantes por km2 muito elevado. No entanto, não é um critério perfeito, pois há aglomerações denominadas de cidade que não apresentam uma densidade populacional elevada. É caso das cidades novas, bem planeadas, como Los Angeles, pr exemplo, que ocupa uma vasta superfície devido a imensos espaços verdes e muitas residências com desenvolvimento horizontal, o que leva a uma baixa densidade populacional.

Por exemplo, o Bangladesh é o país do mundo com maior densidade populacional, caso os Estados Unidos tivessem a densidade populacional identica, toda a população da terra caberia nesse país.

 

O Critério Funcional

Este critério está relacionado com as funções ou actividades desempenhadas na cidade.

Há quem afirme que este é o critério mais correcto e mais bem aceite, pois é o que faz a diferenciação mais justa.

Basta pensar que, na cidade as principais funções estão ligadas aos sectores secundário e terciário, nomeadamente à produção industrial ao comércio e a outros serviços; ensino, cultura, saúde, administração, entre outros.

No entanto, este critério também apresente algumas insuficiências . Existem pequenas cidades limítrofes de grandes cidades cujos habitantes não exercem a sua actividade no local de resid~encia, mas sim na grande cidade, deste modo, este critério não funciona. Por outro lado, existem lugares que se desenvolvem à volta de uma área industrial e cujos habitantes se dedicam ao sector secundário, mas são locais tão pequenos em termos de habitantes que não poderão ser considerados cidades.

O ideal será então a junção do critério demográfico com o critério funcional. Desta forma, além da população de uma cidade se dedicar ao sector secundário ou terciário, estas aglomerações também deverão obedecer a um nº mínimo de habitantes (relacionado com o grau de desenvolvimento do pais e da pop total).

A evolução do critério de definição de cidade em Portugal:

Em Portugal, o critério de definição de cidade tem vindo a sofrer alterações ao longo dos anos.

Até 1960, o título de cidade era atribuído pelo governo ou monarquia como recompensa de serviços prestados ou por questões defensivas. Noutros casos, as povoações ligadas a uma importante função religiosa eram promovidas à categoria de cidade. Todas esta nomeações foram mantidas apesar de algumas, na atualidade, não revelarem a maioria dos requisitos, havendo mesmo já algumas aldeias no país com mais população.

Depois do censo de 1960, foi necessário alterar este critério. O INE passou a definir centro urbano como o lugar que tivesse mais de 10.000 habitantes ou que fosse capital de distrito, mesmo que não atingisse esse limiar.

No censo de 1981, a designação de centro urbano foi usada para as aglomerações que apresentassem mais de 5000 habitantes.

Localização dos aglomerados urbanos

Existem grandes assimetrias relativamente à distribuição das cidades portuguesas. Em todos os campos de análise, é visível o contraste entre o Norte e o Sul e entre o Litoral e o Interior. Neste sentido, as cidades não fogem à regra.

O nº de cidades tem vindo a aumentar consideravelmente. No sec. XIX existiam poucas cidades, somente oito, mas no final do sec. XX este nº atinge já as 110 cidades, incluído as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Foi principalmente depois da década de 70 que o nº de cidades aumentou, quase triplicando dessa altura – com 39 cidades – para a atualidade – com 110 cidades.

É visível o fenómeno de litoralização e de bipolarização, uma vez que é na faixa litoral, que vai de Viana do Castelo até Setubal e nas 2 áreas metropolitanas de Lisboa e Porto onde ocorre a grande concentração de cidades.

No que respeita à dimensão das cidades, é igualmente na faixa litoral que aparecem as maiores cidades portuguesas, nomeadamente Lisboa, Porto, Amadora, Coimbra, Braga, etc.

A taxa de urbanização em Portugal

A taxa de urbanização é a percentagem de população que vive nas cidades em relação à população total do território.

Sem título

Taxa de urbanização

Se, em 1960 a taxa de urbanização rondava os 22%, na actualidade ainda não atingiu os 40%. Portugal é dos países da EU com menor taxa de urbanização, apresentando uma grande disparidade, nomeadamente quando comparado com os valores da Bélgica, onde praticamente toda a pop vive em cidades.

links relacionados

http://imooc.uab.pt/blog/view/14409/a-urbanizacao-em-portugal

Quadro 1 – Cidades com mais de 1 milhão de habitantes

  1900 1950 1990
Cidades com > 1 000 000 habitantes 17 85 294
Pop. Cidades com > 1 000 000 habitantes (milhões) 35,13 218,39 869,27
Dimensão média cidades com > 1 000 000 habitantes (milhões) 2,07 2,57 2,96
% pop. mundial 2,1 8,8 16,6
% pop. urbana mundial 14,3 31,3 39,1
População Mundial (milhões) 1 638 2 492 5 244

Fonte: Moriconi- Ebrard, 1993, Anexo A

Portugal, continua a sofrer o fenómeno de êxodo rural. Uma vez que a atração pela cidade é algo ainda fascinante para uma grande parte da pop. rural. Fenómeno este que é inverso ao verificado em alguns dos países da EU, onde se começa a registar um êxodo urbano, com as pop a preferirem  viver junto ao campo.

A Rede Urbana

A rede urbana nacional caracteriza-se por um acentuado desequilíbrio:

  • Na dimensão demográfica.
  • Na repartição espacial.
  • No nível das funções oferecidas pelos centros urbanos.

A excessiva concentração das populações e das actividades económicas nas grandes aglomerações económicas leva a uma saturação do espaço urbano.

O conjunto de cidades e suas periferias, integradas num dado território, que estabelecem entre si relações de ordem hierárquica de dependência ou complementaridade, constitui uma rede urbana ou sistema urbano.

Factores da expansão urbana

Crescimento demográfico que associado ao elevado custo da habitação na cidade leva á procura de nova áreas residenciais nos subúrbios;

As características da rede urbana

Para caracterizar uma rede urbana, é habitual ter em conta:

  • A distribuição espacial.
  • A dimensão das cidades.
  • A importância das cidades

Uma rede urbana é tanto mais equilibrada quanto menores forem os contrastes nestes três aspectos.

No território Continental:

Existe uma forte concentração urbana na faixa litoral entre Viana do Castelo e Setúbal, localizando-se aí o maior número de cidades, e também as maiores aglomerações urbanas (GAMP e GAML).

No litoral algarvio existe um conjunto considerável de cidades, cujo dinamismo se deve, em grande parte ao turismo.

No interior, as cidades são em menor número e, na sua maioria, de pequena dimensão. No entanto, tem-se assistido a um certo crescimento demográfico de muitos desses centros urbanos, que atraem a população das áreas rurais envolventes (efeito aspirador).

Portugal tem uma rede urbana macrocéfala , isto é, de estrutura politica e económica centralizada , as respetivas redes urbanas são dominadas por uma grande metrópole que monopoliza a vida económica, cultural e social.

No entanto , também é bicéfala porque possui duas grandes metrópoles que ocupam o topo da hierarquia e repartem entre si as funções de nível superior(Lisboa e Porto)

A área de influência urbana

Independentemente do seu tamanho, das suas funções ou mesmo da sua localização, a cidade não é um órgão que funciona sozinho. Ela estabelece relações muito estreitas e intensas com o espaço rural envolvente e vice versa. Desta forma, a cidade é a principal compradora de produtos do campo, mas é também a principal fornecedora de bens/ serviços.

Os bens (produtos e serviços) obtidos num lugar central designam-se por bens centrais. As pop. precisam de se deslocar a esse lugar para adquiri-los, sendo estes fornecidos pelo comércio e pelos serviços, ou seja pelas funções centrais.

Existem no entanto, bens que se encontram distribuidos pelas áreas circundantes, como sejam, por exemplo, a distribuição ao domicílio de água, gás, telefone, electricidade, correio,etc. Este denominam-se bens dispersos.

Quanto maior for a distância até um lugar central mais dificilmente se adquirem os bens/serviços fornecidos por este lugar, uma vez que o tempo gasto no percurso e o custo dos transportes aumentam passando a pop a adquiri-los noutro lugar mais próximo.

Desta forma, a partir de determinada distância do lugar central, deixa de haver procura desses bens, passando a pop a procurar uma área mais acessível (raio de eficiência).

No caso dos bens vulgares, o raio de eficiência, o raio de eficiência é muito pequeno (entre 2 e 5 km), pois estes estão ligados a funções vulgares e de utilização diária. No entanto, já no caso dos bens raros, o raio de eficiência é mais elevado, chegando mesmo este bens a existir só nas grandes cidades, o que provoca uma área de influência muito grande.

A extensão e a forma da área de influência de um lugar central dependem de alguns factores:

1 – Acessibilidade dos lugares: Está associada ao relevo de uma região pois a construção de vias de comunicação e o desenvolvimento dos transportes estão interligados. Este factor reduz ou aumenta o acesso a um determinado lugar central.

A extensão e a forma da área de influência de um lugar central dependem de alguns fatores:

2 – Funções centrais:  exercidas por esse lugar. Surgem as funções raras, associadas a grandes áreas de influência (ex: Universidades), e as funções vulgares, ligadas a pequenas áreas de influência (ex: escolas primárias)

Para além da área mínima, existe uma área onde ocorre atracão por essa função central estando os consumidores dispostos a deslocar-se a esse lugar central para adquirir o bem/serviço é o limiar máximo de mercado. Para além desta área, os custos dos transportes e o tempo de deslocação serão demasiado elevados, o que não compensa. Isto leva a pop a procurar outro lugar central mais próximo.

Relacione o nível hierárquico das cidades com as funções exercidas.

Cada cidade contém uma área de influência – sobre as quais a cidade exerce a sua ação, fornecendo bens, serviços e emprego e atraindo a população. E sendo a cidade um lugar central – oferece bens e serviços à sua área de influência, tendo capacidade de atrair população – que oferece bens centrais – só podem ser adquiridos em determinados locais. Assim, as atividades que fornecem os bens centrais desempenham funções centrais.

A importância dos lugares centrais, bem como a extensão das suas áreas de influência, depende dos bens e funções que oferecem e da maior ou menor acessibilidade. As funções de nível superior, correspondentes à oferta de funções especializadas e bens raros, comum hospital central, existem num menor número de centros urbanos, e têm maior área de influência, enquanto as de nível inferior, mais frequentes, por exemplo um minimercado, existem num grande número de lugares e, por isso, têm menor área de influência.

< Área de influência à < Número de funções exercidas

> Área de influência à > Número de funções exercidas

 

Equacionar medidas conducentes ao equilíbrio da rede urbana – o papel das cidades médias.

A forte polarização em torno das duas maiores cidades do País e a tendência para a urbanização difusa em algumas regiões são, simultaneamente, causa e efeito do desequilíbrio da rede urbana portuguesa.

As cidades são cada vez mais os centros organizadores e dinamizadores do território, pelo que se torna indispensável a reorganização e consolidação da rede urbana, na perspetiva de um desenvolvimento equilibrado do território nacional. O contributo das cidades com uma dimensão média é fundamental para criar dinamismo económico e social, proporcionando as vantagens das economias de aglomeração ( ver à obj.16), atraindo atividades económicas e criando condições para a fixação populacional.

Os centros urbanos de média dimensão poderão desempenhar um papel fundamental na redução das assimetrias territoriais e assim há que requalificar e reforçar a competitividade destas áreas.

Têm também importância a nível da redistribuição da população e das atividades, oferecendo maior diversidade e postos de trabalho. É necessário também promover o investimento em atividades económicas que valorizem as potencialidades regionais e aproveitem os recursos endógenos, mas também em equipamentos e infraestruturas que garantam qualidade vida.

Funções das cidades

Função comercial – É talvez a função urbana por excelência. Muitas das cidades atuais com esta função, têm a sua origem na Idade Média, onde em certas localidades se realizavam feiras, que foram adquirindo importância e levaram à fixação de populações, que foram aumentando, até se tornarem em centros urbanos com importância (ex. Frankfurt, Bruxelas). Se essas primeiras cidades comerciais surgiram em locais que reuniam condições naturais para as trocas de produtos (cruzamento de caminhos, portos de litoral e fluviais), hoje, essas condições bem como os modernos aeroportos e locais específicos de transporte rodoviário e ferroviário, continuam a proporcionar condições para as trocas comerciais. Alguns exemplos: Marselha, Amesterdão, Colónia, Detroit, Dakar, Montreal.

Função financeira – De grande importância na vida moderna, consiste na centralização em determinadas cidades, das atividades que movimentam grandes somas de dinheiro, tais como a banca, os seguros, as Bolsas de Valores (Chicago, Nova Iorque, Paris, Tóquio, Berna, Zurique…)

Função de defesa (militar) – A maior parte destas cidades surgiu também na Idade Média, com as cidade-fortaleza, construídas preferencialmente no cimo de elevações, onde era edificado um castelo e rodeado por muralhas. Muitas das atuais cidades derivam deste fator: Bragança, Leiria, Roma, Toledo, Almeida, Elvas….

Função cultural – Esta função relaciona-se com a edificação (também remontando à Idade Média) de universidades, conventos ou abadias, pois era o clero (naquela época) que detinha a literacia. Atualmente, para além de locais com famosas universidades, há ainda a acrescentar a cidades com esta função, locais de investigação e centros de estudo: Coimbra, Oxford, Cambridge, Salamanca.

Função religiosa – Surgiram em locais de “aparições”, de importantes mosteiros, catedrais, etc… Estes locais são considerados importantes centros de fé e atraem milhares de peregrinos (gerando assim enormes receitas a outros serviços – alimentares, alojamento, comerciais, etc..). São exemplos cidades como, Fátima, Meca, Vaticano, Santiago de Compostela, Jerusalém, Lourdes…

Função turística (lazer) – Engloba todas as cidades que reúnam boas condições climáticas quer para atividades de Verão, quer para atividades de desportos de Inverno, locais propícios ao divertimento e ainda locais termais. Côte D’Azur, “algarve”, Saint Moritz, Nice, Monte Carlo, Las Vegas,

Assim, para existir um sistema urbano, é necessário que se estabeleçam ligações funcionais permanentes entre os centros urbanos, quer seja através de laços de dependência quer seja em complementaridade. Estas relações podem também existir entre os centros urbanos e as suas áreas de influência

Tipos de redes urbanas

1 – Redes monocêntricas (macrocéfalas) – encontram-se em países que são liderados por uma grande metrópole, que controla a vida económica, cultural e social. São características dos países menos desenvolvidos.

2 – Redes bipolares (bicéfalas) – encontram-se em países que apresentam duas grandes metrópoles, dividindo entre si as funções superiores (política e económica). Alguns países da Europa como Espanha,Itália e Portugal são exemplos desta rede.

3 – Redes multipolares: encontram-se em países com várias metrópoles.

Portugal apresenta uma rede urbana bicéfala mas incompleta.

Lisboa e Porto, as duas cidades do país mais populosas e as que concentram maior nº de funções centrais, aparecem num nível superior, com áreas de influência enormíssimas, chegando mesmo à escala nacional.

Contrastes no povoamento

Vantagens e limitações da concentração e da dispersão

As empresas que se localizam nos centros urbanos ou periferia, tiram naturalmente, enormes vantagens quando a área está perfeitamente dotada de distribuição domiciliária de agua, energia rede de esgotos telecomunicações e de transportes, assim como de equipamentos sociais imprescindíveis para atrair a população.

No caso de Portugal, as nossas 2 grandes cidades, Lisboa e Porto são as áreas do país que revelam maior nº de infra-estruturas, equipamentos sociais e actividades económicas. No entanto, é preciso ter presente que estes serviços têm custos altissimos de manutenção, principalmente no que toca aos serviços públicos, sendo necessário um plano bem delineado.

Papel dos Centros de Média dimensão no atenuar dos desequilíbrios

Portugal apresenta uma rede urbana muito desequilibrada tendo em conta a dimensão das cidades. Falta-nos cidades de média dimensão que comportem entre 100 a 250 mil habitantes e funcionem como pólos dinamizadores das regiões onde se inserem. O desenvolvimento de cidades médias impede simultaneamente o despovoamento das áreas rurais do interior e a demasiada concentração dos grandes centros urbanos.

Problemas urbanos

Saturação das infra-estruturas

Degradação dos edifícios

Envelhecimento demográfico

Problemas sociais

Pressão ambiental

Dum modo geral, quanto mais antiga e maior for uma cidade, mais diversificados e mais complexos vão ser os problemas que se refletem direta ou indiretamente nas populações urbanas, afetando-as física e psicologicamente. Eles (os problemas) são tantos que é sempre muito difícil fazer uma abordagem, por mais simples quase seja, de todos eles, com a agravante de que quase todos os problemas estão interligados. Vejamos os mais vulgares:

Abastecimentos – As cidades são centros de consumo por excelência e no seu interior pouco se produz, pelo que a maioria dos bens e produtos têm de vir do exterior e chegar aos centros consumidores a “tempo e horas”. Dito por outras palavras, todos nós gostamos de comprar produtos frescos, mas estes não são produzidos nas cidades, pelo que se torna necessário criar condições para que eles cheguem atempadamente aos locais de venda, sem que, por exemplo, fiquem “presos” no trânsito urbano. Convém ter presente que na questão dos abastecimentos, não estão apenas os produtos alimentares (tais como leite, frutas, legumes, peixe, etc…), mas também água potável e energia.

Infraestruturas – Com o crescente aumento das populações urbanas, as infraestruturas construídas rapidamente ficam ultrapassadas e sem meios de satisfazer as necessidades urbanas. Consideram-se nestas infraestruturas as redes de abastecimento de água e eletricidade, as redes de escoamento de águas (esgotos), os cabos de comunicações, e até a dimensão das vias de comunicação (estradas). A maior parte destas estruturas foi feita para servirem um determinado número de habitantes que, rapidamente é ultrapassado. Deste modo, surgem com alguma frequência cortes de eletricidade, falta de pressão nos canos de água, dificuldades em fazer chamadas telefónicas, e canos de esgoto que rompem, pois não aguentam a pressão elevada de água que neles circula. Como consequência, assiste-se cada vez mais a obras de beneficiação destas infraestruturas, de modo a podê-las ter a funcionar corretamente, para um cada vez mais elevado número de habitantes citadinos.

Espaços verdes – O crescimento das cidades leva à destruição de vegetação para poder haver espaço para a construção de variados edifícios e vias de comunicação. Como tal, começam a existir cada vez menos espaços verde nas cidades e, eles, são um bem muito precioso, pois além de ajudarem a renovar e purificar o ar, são igualmente áreas de descanso e lazer.

Equipamentos urbanos – Neste caso estão incluídos creches, hospitais, lares de idosos, escolas…. e as situações problemáticas são completamente opostas: ou há cidades que têm falta deles, ou há excesso de pessoas para os mesmos. Por exemplo, devido (em parte) à diminuição da natalidade, há muitas escolas que são forçadas (por razões económicas) a encerrar, forçando os (poucos) alunos que as frequentavam a irem para outras escolas, só que esta situação vai originar estudantes a mais nas escolas para onde são obrigados a ir.

Doenças – A vida para um citadino não é muito folgada. dum modo geral poder-se-á dizer que ele é um escravo do relógio… sempre a tentar cumprir horários, sempre a tentar chegar a horas para apanhar um determinado meio de transporte…. as situações de nervosismo e ansiedade que se vivem no trânsito das cidades (principalmente em horas de ponta), levam imensas vezes a situações de saturação e de stress. Isto pode ser o suficiente para originar outro tipo de doenças. A vida demasiado agitada também provoca, inúmeras vezes, a que haja falta de tempo para preparar refeições adequadas, ou mesmo para saborear e digerir convenientemente as refeições. Deste modo, muitos habitantes urbanos optam por refeições pouco saudáveis, pouco adequadas (em nutrientes) e, principalmente, que sejam rápidas (quer no tempo de espera das mesmas, quer no consumo)… entrou-se na era das fast food. A má alimentação, o pouco exercício físico e a saturação, o stress e ansiedade, podem ser as causas mais prováveis de doenças cardiovasculares, obesidade, esgotamentos. Algumas formas de poluição, como a atmosférica e a sonora, também podem conduzir a doenças respiratórias (como a asma) e a perturbações psíquicas.

Estratégias para valorizar a qualidade de vida nas cidades

Revitalizar as cidades

Humanizar os espaços de vivência

Explicar o processo de formação das áreas metropolitanas.

O processo de suburbanização, no nosso País, ocorreu sobretudo no Litoral, tendo sido particularmente importante nas áreas de Lisboa e do Porto .A expansão destas áreas urbanas envolveu algumas cidades próximas e um grande número de aglomerados populacionais. A instalação de atividades económicas gerou emprego, diminuindo a dependência face à grande cidade e intensificando relações de interdependência e complementaridade, que passaram a ser cada vez mais complexas, estabelecendo-se também entre as diferentes áreas suburbanas.

Assim as áreas metropolitanas têm por características :

  • Grande concentração demográfica
  • População jovem
  • População instruída e qualificada

Predomínio do setor III

Identificar os principais efeitos polarizadores das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, a nível nacional e regional.

As AM têm por características :

  • Elevado potencial polarizador do território porque atrai população e emprego
  • Uma rede de transportes densa e eficaz, onde se realizam intensos fluxos de pessoas e bens
  • A sua grande expressividade dos movimentos pendulares
  • Perda demográfica das áreas mais centrais a favor dos subúrbios
  • Descentralização de atividades ligadas ao setor secundário e terciário
  • Presença de grande dinamismo demográfico no entanto tem-se presenciado uma perda demográfica nos municípios centrais.
  • São pólos dinamizadores da economia

 

Assim, as AMP e AML acabam por concentrar em si um grande número de serviços e de vantagens o que atrai a população não só pelo seu dinamismo económico e demográfico mas também pelas infraestruturas de que dispõe e é nestas zonas que podemos encontrar bens raros. Deste modo, estas duas principais áreas metropolitanas acabam por ter a efeitos polarizadores a nível nacional e regional.

. Diferenciar a AML da AMP.

  1. A AMP têm maior densidade populacional do que AML
  2. A AML é um pólo dinamizador da economia e AMP , apesar de o ser também não têm tanta relevância a nível nacional em comparação com a AML
  3. A AML concentra parte significativa dos recursos da estrutura económica do país que se exprimem na proporção de emprego, produtividade, na geração de valor acrescentado, na capacidade de atrair investimento estrangeiro.
  4. As indústrias que predominam no Norte são de bens de consumo , muitas vezes de caráter familiar e são pouco exigentes em termos de qualificação profissional e de tecnologias e Lisboa as indústrias têm muita qualificação e são muito tecnológicas

 

Distinguir o perfil da industrialização da AML e da AMP.

O dinamismo económico das áreas metropolitanas deve-se, em parte, à atividade industrial que, nestas duas grandes aglomerações urbanas, beneficia de algumas vantagens:

  • A complementaridade entre diferentes ramos industriais;
  • A existência de infraestruturas e serviços diversos;
  • A disponibilidade de mão de obra, tanto pouco qualificada como especializada;
  • A acessibilidade aos mercados nacional e internacional.

No entanto ,  o perfil da industrialização da AML e da AMP têm diferenças.

  • A AML tem maior proporção de emprego
  • A AML tem maior número de sedes de sociedades de indústria transformadora
  • A AML tem maior proporção de estabelecimentos da indústria transformadora em bens de equipamento
  • A AML tem maior volume de negócio das sociedades da indústria transformadora
  • A AML tem maior numero de pessoal ao serviço da industria transformadora

. Analisar o caráter da indústria transformadora e especialização regional do nosso país.

A distribuição espacial da indústria transformadora apresenta fortes contrastres em Portugal que se devem , em parte , a fatores demográficos e económicos.

Existe um grande contraste interior/Litoral e pela grande concentração em torno da AMP e AML.

O emprego industrial assume uma proporção no Norte e posteriormente o Centro mas relativamente ao volume de negócios , é claramente superior em Lisboa. Estas diferenças relacionam-se , fundamentalmente, com as características do tecido da industrial das diversas regiões. São indústrias intensivas em tecnologia e menos em mão de obra aquelas que produzem maior volume de negócios.

Para além da concentração , a indústria transformadora caracteriza-se também por alguma especialização.

  • A indústria têxtil está mais concentrada a Norte
  • A indústria alimentar tente a concentrar-se nas maiores aglomerações urbanas
  • As indústrias ligadas à exploração de recursos endógenos apresentam localizações preferenciais

Esta distribuição da industria induz desigualdades na repartição espacial de outros ramos de atividade que se lhes associam, contribuindo para as assimetrias de desenvolvimento. Daí a importância de implementar estratégias de descentralização da indústria como :

  • Fornecimento de incentivos à industria a regiões menos favorecidas
  • O desenvolvimento das acessibilidades

Avaliar os principais aspetos (pontos fracos/pontos fracos) da AMP e AML.

 

A AMP tem como :

Pontos fracos:

  • Forte exposição da estrutura económica à concorrência internacional pelo predomínio de atividades de baixa intensidade tecnológica e competitividade baseada na mão de obra abundante
  • Carência de serviços especializados de apoio às empresas face ao peso económico e industrial da região
  • Problemas ambientais resultantes de deficiências nos domínios do abastecimento de água e tratamento de efluentes.
  • Problemas de mobilidade no centro do Porto e nos principais acessos à cidade.
  • Degradação física e exclusão social nos centros históricos.

Pontos fortes:

  • Grande dinâmica demográfica com uma estrutura etária jovem.
  • Forte dinamismo industrial.
  • Afirmação e inserção num espaço de cooperação e interdependência com a Galiza.
  • Rede densa de instituições de ensino superior e de infraestruturas tecnológicas capazes de suportar o desenvolvimento de atividades mais intensivas em conhecimento.
  • Valioso património cultural com marcas de prestígio (Porto ­ património mundial, vinho do Porto, Douro).
  • Boa acessibilidade às rotas internacionais.

A AML tem como :

Pontos fracos:

  • Problemas ambientais resultantes da forte pressão imobiliária/turística na ocupação do solo emáreas de grande valia ambiental e agrícola.
  • Problemas de mobilidade, congestionamento e poluição, resultantes da forte utilização do automóvel privado.
  • Presença de bairros problemáticos associada à crescente separação espacial resultante da diversidade social e étnica.
  • Abandono dos centros históricos, sobretudo no núcleo central.
  • Alguma debilidade na afirmação internacional.

Pontos fortes:

  • Presença de setores económicos que apresentam um potencial competitivo internacional e/ou vocação exportadora.
  • Concentração de infraestruturas de conhecimento e de recursos humanos qualificados.
  • Condições naturais favoráveis à atração internacional de atividades, eventos e movimentos turísticos.
  • Integra as principais infraestruturas de transportes e de comunicações de articulação internacional.
  • Património cultural valioso.
  • Boa acessibilidade às rotas internacionais.

Equacionar os principais problemas urbanísticos e ambientais.

De facto , as cidades dão muita autoestima aos habitantes e impulsiona o desenvolvimento das regiões periféricas no entanto é necessário reconhecer os problemas urbanos para corrigi-los.

Há vários problemas urbanos ambientais entre eles os resíduos solos urbanos, a poluição sonora, a poluição atmosférico , a poluição liquida ( os efluentes domésticos) , a falta de espaços verdes  a impermeabilização (?) e a construção em leitos de cheia. Por outro lado há alguns problemas sociais como o desemprego, a pobreza, a criminalidade, a exclusão social , a toxicodependência , a prostituição , a insegurança , o envelhecimento e o stress.

Discutir medidas de recuperação da qualidade de vida urbana.

  • Valorização das cidades nas políticas de ordenamento territorial e desenvolvimento regional e local
  • Integração dos PDM no maior número de áreas urbanas possíveis
  • Criação de planeamentos, programas e iniciativas comunitárias, que se promovam a valorização das cidades.
  • Revitalizar os centros das cidades
  • Dinamizar o tecido económico e social das áreas urbanas
  • Criação de condições para fixação de população jovem
  • Intervir nas áreas degradadas
  • Melhorar as condições físicas do património edificado
  • Alteração funcional de edifícios ou espaços
  • Recuperar, transformar e revalorizar a paisagem das cidades portuguesas
  • Construção de áreas mais modernas e atrativas (zonas de lazer e não só)
  • Optar pelo planeamento urbanístico
  • Atração de população
  • Criação de cidades no sentido sustentável ambientalmente
  • Promover cidades dotadas de infraestruturas científicas e tecnológicas
  • Dispor bens e serviços de comunicação digital que fomentem a sua utilização para fins comerciais, escolares, culturais, lúdicos e de participação cívica
  • Construção de cidades que promovam a requalificação urbana garantido a coexistência de diferentes estilos de espaços urbanos

POLIS – competitividade | atratividade
As cidades polis devem ser:

cidades verdes – caminham no sentido da sustentabilidade ambiental

cidades do conhecimento/ entretenimento – cidades dotadas de infraestruturas científicas e tecnológicas, de espaços culturais e de aprendizagem artísitca e de diversão.

cidades digitais – cidades que dispõem de bons serviços de comunicação digital, que fomentem a sua utilização para fins comerciais, escolares, culturais, lúdicos, participação cívica

  • cidades intergeracionais – cidades que promovem a requalificação urbana garantindo a coexistência de diferentes estilos de vida no espaço urbano.

Analisar a repartição espacial das cidades portuguesas.

A rede urbana nacional evidencia um forte desiquilibrio , já que apresenta:

  • Um grande número de cidades de pequena dimensão
  • Um número reduzido de cidades de média dimensão
  • Duas cidades de maior dimensão mas com uma diferença significativa entre si

Além das diferenças na dimensão demográfica das cidades, existem contrastes na sua repartição geográfica, outro aspeto que evidencia o desequilíbrio da rede urbana

No território continental, existe uma forte concentração urbana na faixa litoral entre Setúbal e Viana do Castelo, localizando-se aí não só o maior número de cidades, mas também as maiores aglomerações urbanas, com destaque para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

No litoral algarvio, existe um conjunto considerável de cidades, cujo dinamismo se deve, em grande parte, ao turismo.

No Interior, as cidades são em menor número e, na sua maioria, de pequena dimensão.

No entanto, tem-se assistido a um certo crescimento demográfico de muitos desses centros urbanos, que atraem a população das áreas rurais envolventes.

Os contrastes na repartição geográfica das cidades estão relacionados com o processo de litoralização, que continua a contribuir para a maior concentração de população e atividades económicas no Litoral.

Nas regiões autónomas, as cidades cresceram a partir de portos marítimos, localizando-se todas junto à costa.

Avaliar os desequilíbrios da rede urbana em Portugal.

 

O acentuado desequilíbrio da rede urbana portuguesa evidencia-se:

  1. Pela dimensão dos centros urbanos ­ predomínio cidades pequenas, fraca representatividade das cidades de média dimensão e dois grandes centros urbanos: Lisboa e Porto;
  2. Pela repartição geográfica ­ forte concentração urbana no Litoral, onde sobressaem as áreas metropolitanas;
  3. Pelo nível de funções ­ predomínio das funções de nível superior e das restantes funções urbanas nas principais áreas urbanas do Litoral, com destaque para Lisboa e Porto.

E este desequilíbrio tem por consequências:

  1. A redução da capacidade de inserção das economias regionais na economia nacional;
  2. A limitação das relações de complementaridade entre os diferentes centros urbanos e, como tal, do dinamismo económico e social;
  3. A limitação da competitividade nacional no contexto europeu e mundial, pela perda de sinergias que uma rede urbana equilibrada proporciona.